
Cinema de gênero em foco na Mostra de Cinemas Africanos 2026

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Com foco em cinema de gênero, Mostra de Cinemas Africanos retorna ao CCBB Rio em setembro
De 10 a 16 de setembro, programação reúne 24 filmes africanos contemporâneos, com sessões gratuitas, presença da cineasta Aïcha-Chloé Boro e curso on-line sobre filmes de gênero nos cinemas africanos
A Mostra de Cinemas Africanos retorna ao Rio de Janeiro entre os dias 10 e 16 de setembro de 2026, mais uma vez em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ). Em sua 9ª edição, o festival apresenta uma seleção de 24 filmes africanos contemporâneos, entre ficções e documentários, com sessões gratuitas ao longo de sete dias.
Neste ano, o cinema de gênero ocupa o centro da curadoria, atravessada por ficção científica, suspense, thriller psicológico, comédia, ação, aventura e narrativas sobrenaturais. O foco surgiu do próprio processo de pesquisa conduzido pela curadora Ana Camila Esteves: filmes realizados em diferentes países e condições de produção começaram a se aproximar pela maneira como elaboravam os gêneros a partir de outras referências, linguagens e estéticas.
A proposta é também colocar em questão aquilo que aprendemos a reconhecer como cinema de gênero a partir de um repertório formado sobretudo pelas cinematografias estadunidense e europeia. Na programação, essas formas aparecem em obras como a ficção científica Memória da Princesa Mumbi, de Damien Hauser; o terror sobrenatural O Despertar de Anam, de Likarion Wainaina; a aventura fantástica O Pescador; o suspense policial Diya; o thriller psicológico Por Detrás das Palmeiras; além de curtas de ação, comédia, ficção científica e sobrenatural.
O documentário Crocodile acrescenta outra perspectiva ao foco ao acompanhar o coletivo audiovisual nigeriano The Critics, formado por jovens de Kaduna que começaram a produzir filmes de ficção científica e outros gêneros para a internet praticamente sem recursos. A experiência do grupo permite pensar também como essas linguagens são elaboradas em contextos distantes das grandes estruturas industriais normalmente associadas ao cinema de gênero.
A seleção carioca percorre ainda outras relações identificadas durante o processo curatorial. Filmes ambientados em Lagos, Dakar, Nairobi e Kinshasa observam como a experiência nas grandes cidades interfere na memória, nas formas de ocupação do território e no exercício da liberdade. Outros títulos colocam no centro personagens mais velhos, relações familiares, maternidade, desejo e luto. Já os documentários Independência Hoje, de Abdou Lahat Fall, e Cartum, dirigido coletivamente por Anas Saeed, Rawia Alhag, Ibrahim Snoopy Ahmad, Timeea Mohamed Ahmed e Phil Cox, acompanham processos políticos recentes no Senegal e no Sudão a partir de personagens diretamente atravessados por esses acontecimentos.
Aïcha-Chloé Boro no Rio
A convidada internacional da edição carioca é a cineasta burkinabé Aïcha-Chloé Boro, que apresenta seu primeiro longa-metragem de ficção, As Desvirtuosas (Les Invertueuses). Conhecida por uma trajetória consolidada no documentário, Boro parte de uma história familiar para acompanhar a relação entre uma adolescente e sua avó, que reencontra um amor da juventude depois de quatro décadas vivendo um casamento sem amor.
A diretora participa da sessão de As Desvirtuosas no dia 12 de setembro, às 18h, seguida de conversa com o público. O filme também integra outra sessão da programação, em diálogo com Roupa Suja.
Formação on-line sobre cinema de gênero
O eixo curatorial se desdobra ainda no minicurso gratuito on-line “Crioulização nas telas: filmes de gênero nos cinemas africanos”, ministrado pela professora e pesquisadora Jusciele Oliveira, nos dias 19 e 20 de setembro.
A formação parte da diversidade de experiências de gênero nas cinematografias africanas para discutir como humor, sátira, musicalidade, cotidiano e elementos fantásticos participam da construção de outras linguagens cinematográficas. Embora aconteça após o encerramento das sessões no Rio, o curso é on-line e aberto também ao público carioca.
Criada em 2018 por Ana Camila Esteves e Beatriz Leal-Riesco, a Mostra de Cinemas Africanos atua de forma continuada na circulação do audiovisual contemporâneo do continente no Brasil. Em nove anos, o projeto realizou 22 edições em sete cidades, exibiu mais de 400 filmes, recebeu mais de 65 convidados e promoveu 45 atividades de formação.
No Rio de Janeiro, a edição de 2026 dá continuidade à parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil, ampliando o acesso do público brasileiro a filmes africanos recentes ainda pouco presentes nos circuitos regulares de distribuição e exibição.
SERVIÇO
Mostra de Cinemas Africanos 2026 — Rio de Janeiro
10 a 16 de setembro de 2026
Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB RJ
Rua Primeiro de Março, 66 — Centro — Rio de Janeiro/RJ
Cinema I
Entrada gratuita
Classificação indicativa de acordo com cada filme.
Os ingressos gratuitos para as sessões no CCBB podem ser retirados na bilheteria e no site do CCBB a partir das 9h do dia de cada sessão.
Curso on-line — “Crioulização nas telas: filmes de gênero nos cinemas africanos”
Com Jusciele Oliveira
19 e 20 de setembro
Gratuito
Inscrições: mostradecinemasafricanos.com/inscricoes2026



