
Fórum na UFBA discute crítica cinematográfica em festivais de cinema não-hegemônicos
Exibição na sala Walter da Silveira reuniu mais de 150 estudantes do Ensino para Jovens e Adultos (EJA) de quatro bairros de Salvador
Por Yan Inácio

A sessão de “O Pescador” na noite desta segunda-feira (21), na Mostra de Cinemas Africanos 2026, recebeu mais de 150 estudantes do Ensino para Jovens e Adultos (EJA) de quatro escolas da capital baiana dos bairros de Periperi, Cabula, Arenoso e Nova Brasília.
Na sessão, os alunos acompanharam a história do pescador Atta Oko, de uma pequena vila no litoral de Gana, na África Ocidental. O idoso encontra um peixe falante e parte em uma aventura para conquistar o próprio barco. A trama, dirigida pela cineasta Zoey Martinson, fala sobre temas como o choque entre tradição e modernidade e a descoberta do próprio propósito.
A sessão foi a primeira ida ao cinema de muitos dos jovens, adultos e idosos que estiveram presentes. Foi o caso da estudante Manuela Conceição, do curso técnico de administração do Colégio Estadual Clarice Santiago, no Arenoso. “Eu amei a experiência. Amei a mensagem do filme em si, falando dos seus sonhos, não é só porque você tem uma certa idade que você não possa seguir os seus sonhos, então pra mim foi maravilhoso”, disse.

Luan da Silva Ribeiro, do Ensino para Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Estadual Vera Lux, em Nova Brasília, encontrou semelhanças culturais entre os ganeses retratados no filme e o povo soteropolitano.
“A África em si é o berço do Brasil. Tudo aqui do Brasil é espelhado na África, apesar de alguns estados nossos não, mas Salvador com toda certeza, tem muito dessa cultura africana e Gana, por ser um país africano, a gente vai ver alguns costumes, algumas comidas, roupas que são bem parecidas”, comentou.
“Pra mim foi uma grande satisfação sair, principalmente com os nossos alunos do EJA, que são pais, mães de família, que não têm tempo, mas que tiraram essa noitinha pra estar assistindo algo que faz parte, muitas vezes, do cotidiano deles, de marisqueiras, alunos de religiões de matrizes africanas, eu senti que muitos deles se identificaram”, reforçou a professora Conceição Ramos, também do Vera Lux.

Já a professora Carla Gama, do mesmo colégio, destacou a importância da exibição para alunos do EJA como uma forma de apresentá-los a espaços desconhecidos. “Às vezes a gente sai com os alunos que moram em Salvador e não conhecem a cidade. Muitos alunos vieram cantando, fotografando o caminho, porque não conhecem”, pontuou.
“É muito valoroso porque muitos desses estudantes não têm nem acesso a alguns desses aparelhos de cultura. Aqui eles têm acesso a uma cultura contra hegemônica.
É a possibilidade de perceber que os corpos deles, que são corpos negros, podem estar em outros espaços, fazendo, construindo e assistindo cultura”, finalizou Tayla Barbosa, da equipe da Coordenação de Educação Antirracista, Relações Étnico-raciais e Diversidade (CEARD) do Governo do Estado da Bahia.

A sessão para alunos do Ensino para Jovens e Adultos (EJA) foi uma parceria da Mostra de Cinema Africanos 2026 com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia e o Cineclube Kalunga Bahia.



