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Encontro reuniu os convidados Ivonete Pinto e Juliano Gomes, críticos, profissionais do audiovisual e estudantes
Por Yan Inácio

Ocorreu, na manhã desta segunda-feira (21), o Fórum de Crítica Cinematográfica, Festivais e Cinemas Não-hegemônicos, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador.
O encontro foi mediado pelas professoras Regina Gomes e Enoe Lopes e teve a presença dos críticos e professores convidados Ivonete Pinto e Juliano Gomes, além de críticos, estudantes e produtores audiovisuais baianos. O seminário, que faz parte da programação da Mostra de Cinemas Africanos 2026, foi guiado por uma série de discussões sobre o universo da crítica cinematográfica.
Os presentes debateram desde o papel do crítico em tempos de redes sociais, à importância desse ofício para o registro e fluxo de filmes não-hegemônicos entre festivais, até a circulação dessas obras entre o público periférico, seja nas salas de cinema ou em sessões mediadas por cineclubes.

Para Ivonete Pinto, mesmo com a chegada das redes sociais e as transformações comunicacionais que mudaram o papel do crítico cinematográfico, esses comunicadores ainda são essenciais para quem produz filmes.
“O espaço da crítica, por mais que tenha diminuído, existe, é real e importante para os festivais. Os diretores querem, não é só uma questão de likes. Eles precisam desses avais. Quando fazem um cartaz, trazendo frasezinhas de críticos, não é uma influencer que está ali, são críticos de jornais e websites mais conhecidos”, disse.

O papel reflexivo da crítica também foi destacado por Juliano Gomes, que defendeu uma maior abertura no olhar como forma de resistência às cinematografias hegemônicas, como os filmes hollywoodianos, que dominam as salas de cinema globais.
“A crítica tem o papel de incendiar. Estamos nos acostumando com a lógica da publicidade dentro da nossa produção, o problema é que é uma lógica compulsiva, você se acostuma com ela e passa a estranhar as outras. O cinema avança e mostra a riqueza quando ele deixa de ser publicidade e quando mostra que o pensamento tem outras formas”, argumentou.
Esse foi o ponto central da fala da cineasta e professora Carla Almeida Rosário. O comentário dela levantou uma indagação que ronda a produção cinematográfica não-hegemônica em Salvador: a crítica é necessária para que essas obras circulem e existam, mas ainda não chega a esses lugares.
“Nós fazemos cinema afro diaspórico, mas a gente não tem acesso a crítica. É preciso que a gente tenha esse apoio no cinema africano, no baiano e no negro. Essa questão é muito séria e muito grave”.

A inquietação também abriu o debate para as problemáticas no acesso ao cinema em espaços não privilegiados. A artista e estudante Ariel Gomes, nascida e criada em Arembepe, no litoral norte da Bahia, destacou a necessidade de buscar novas formas de se comunicar sobre festivais, como a própria Mostra de Cinemas Africanos.
“Essa situação acontece também quando a nossa população começa a achar elitista o fato de a gente ter uma mostra de cinemas que não são hegemônicos. O nível que a gente não está democratizando esse acesso é o nível das pessoas acharem que o cinema preto e periférico é um filme hegemônico”, comentou.



