
Encontro reúne cineastas, artistas e africanos residentes em Salvador no Estúdio África

Fórum na UFBA discute crítica cinematográfica em festivais de cinema não-hegemônicos
Sessão comentada da Mostra de Cinemas Africanos reuniu produções do Senegal e do Quênia e destacou diferentes perspectivas sobre ancestralidade, identidade e cultura negra.
Por Anna Luiza Santos

Na história do Brasil, os quilombos são territórios de memória, resistência e insurgência da população negra. Se, no passado, a luta contra a violência colonial se organizava pela coletividade e pela resistência armada, hoje a arte também ocupa um lugar central na afirmação das identidades. É o caso do Quilombo do Coqueiro Grande, no bairro de Cajazeiras, em Salvador, que abriga o Cine Lankiana, espaço que recebeu uma das sessões comentadas da Mostra de Cinemas Africanos no último sábado (19).
O nome Lankiana é uma homenagem à Yalorixá Lankiana de Nkosi, uma das primeiras filhas iniciadas no Terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza, há 73 anos. A escolha reverencia a ancestralidade e a espiritualidade presentes na trajetória do quilombo, princípios que ganharam espaço na programação da Mostra com a exibição da produção senegalesa Demm – As Devoradoras de Almas e a queniana O Despertar de Anam.
Para o roteirista, professor e diretor Igor Correia, levar a Mostra ao Quilombo do Coqueiro Grande significa ampliar o acesso ao cinema e descentralizar a circulação que, muitas vezes, fica restrita aos espaços culturais localizados no centro da cidade.
“É importante conhecer uma narrativa que não é a do colonizador, mostrar a pluralidade, os diferentes contextos políticos e as aspirações desses povos. E isso dialoga diretamente com a nossa população periférica, que também é plural e tem suas próprias histórias para contar.”

Mayara Macedo, assessora de comunicação do Cine Lankiana, destacou a importância da MCA para democratizar o acesso ao cinema e aproximar a comunidade de diferentes culturas. “O acesso é gratuito, o que facilita ainda mais a participação do público, diferente do que acontece nos grandes shoppings. É um ato de valorização da nossa comunidade, para que as pessoas possam acessar e se inspirar em outras linguagens e vivências”, avalia.

Entre a sala de exibição, a exposição de arte no segundo andar e a biblioteca dedicada exclusivamente à cultura negra, a 9ª edição da Mostra de Cinemas Africanos ocupou o Cine Lankiana com uma programação 100% gratuita.




