
Mostra de Cinemas Africanos 2026 realiza abertura oficial na Sala Walter da Silveira

Mostra na estrada: evento realiza exibições de filmes africanos em escolas estaduais do interior
Abertura Expandida exibiu o filme queniano ‘Memória da Princesa Mumbi’ para uma plateia de diferentes faixas etárias
Por: Anna Luiza Santos

Na noite da última quinta-feira (17), a 9ª edição da Mostra de Cinemas Africanos chegou a Salvador com uma programação dedicada à pluralidade do continente e à sua produção artística. Durante a Abertura Expandida no SESI Casa Branca, no bairro de Caminho de Areia, o longa queniano ‘Memória da Princesa Mumbi’ foi escolhido para proporcionar ao público uma experiência de imersão democrática, pulsante e totalmente gratuita.
Em parceria com o Cineclube CBX, a sessão reuniu uma plateia de diferentes gerações, de adolescentes a idosos. Dirigido por Damien Hauser, o longa aborda os dilemas da juventude queniana, a saúde mental e o resgate de memórias em um país marcado pelos impactos da colonização. A iniciativa também aproximou o cinema africano dos moradores da Cidade Baixa, região historicamente marcada por desigualdades no acesso a equipamentos e financiamentos culturais.
O produtor e curador do Cineclube CBX Leonardo Motta destaca a importância da presença da Mostra nesse território da cidade.
“Muitas vezes, as pessoas deixam de assistir a um filme no cinema por causa do valor do ingresso e porque as salas estão concentradas em bairros nobres. Por isso, é essencial esse trabalho de dar espaço de tela para quem produz, para quem não tem onde exibir seus filmes, e também para levar a cultura para quem deseja ter acesso a essa arte”, afirma.

Para Bergson Nunes, produtor do SESI Casa Branca, a sessão representa um processo de valorização das cinematografias africanas e da identidade afro-brasileira.
“É muito significativo poder contribuir para que essas narrativas encontrem o público de Salvador, especialmente em um território como a Cidade Baixa, onde a presença e a influência das culturas africanas fazem parte da nossa própria história e identidade. É uma oportunidade para que essas produções encontrem diferentes formas de olhar o mundo”, celebrou.

Para os espectadores que acompanharam atentamente a história projetada na tela, os impasses apresentados também dialogam com as vivências soteropolitanas. Andréia Rocha, de 38 anos, frequentadora assídua do Cineclube CBX, destacou a identificação com a obra.
“O filme é um brinde à liberdade, ao direito de fazer escolhas e de ser feliz, lá do outro lado do oceano ou aqui na nossa terra”, disse.
Já para Josilda Souza, de 54 anos, moradora de Massaranduba, a obra retrata a luta de uma juventude negra que busca construir novos horizontes. “Em um contexto de escassez e desigualdade, o filme enche nossos olhos com a mensagem de que a felicidade é a coisa mais importante em nossas trajetórias. Quero que mais jovens do meu bairro assistam e se inspirem”, comentou.

Essa não foi a única oportunidade dos amantes do cinema conferirem a programação desta edição. Até 23 de setembro, a Mostra de Cinemas Africanos segue com sessões 100% gratuitas na Sala Walter da Silveira, nos Barris, e no Cine Lankiana, em Cajazeiras, exibindo 22 filmes de 11 países. A agenda também inclui masterclass e fórum sobre a sétima arte, realizados na Aliança Francesa e na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA).



