julho 5, 2020

Curso aborda obra autoral do cineasta Flora Gomes

by Ana Camila in Sem categoria

Curso aborda obra autoral do cineasta Flora Gomes

Encontros acontecem aos sábados do mês de agosto e serão facilitados por Jusciele Oliveira. Filmes do diretor, que participará de uma das aulas, serão enviados em links privados aos inscritos.

Neste mês de agosto, a Mostra de Cinemas Africanos promove o curso “A cinematografia múltipla de Flora Gomes”, ministrado pela pesquisadora e especialista na obra do cineasta da Guiné-Bissau, Jusciele Oliveira. Os encontros acontecem aos sábados de agosto, das 15h às 19h (total de 20 horas), e contarão com a presença do próprio diretor em uma das aulas. O investimento é de R$ 200, com emissão de certificado.

Flora Gomes é um dos nomes mais importantes dos cinemas africanos. Estudou cinema em Cuba, no Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica – ICAIC (1967-1972), sob os ensinamentos de Santiago Álvarez Román; e em Dakar, na Televisão Senegalesa (1972-1973), sob orientação de um dos mestres dos cinemas africanos, Paulin Soumanou Vieyra. Iniciou a sua carreira cinematográfica ao lado de Sana Na N’Hada co-realizando com este dois curtas-metragens: O regresso de Cabral (1976) e Anos no oça luta (1976). Seus longas-metragens de ficção são: Mortu nega (Morte negada, 1988), Udju azul di Yonta (Olhos azuis de Yonta, 1992), Po di sangui (Pau/Árvore de sangue, 1996), Nha fala (Minha fala, 2002) e Republica di mininus (República de meninos, 2012); e do documentário As duas faces da guerra (2006), que assina em coautoria com Diana Andringa. 

Com este curso, espera-se contribuir também com o alargar de conhecimentos em torno da Guiné-Bissau por meio da obra Flora Gomes, que em seus filmes apresenta a sociedade, a história, memórias e tradições bissau-guineenses de maneira em nada estereotipada. O curso terá ênfase na área dos estudos cinematográficos, partindo da concepção de autoria e da teoria dos autores para pensar a obra do diretor.

Através de análises fílmicas orientadas, serão destacados traços formais, estilísticos, estéticos e de conteúdo do realizador, examinando as estratégias de mise en scène, modo de construção narrativa e recorrências temáticas encontradas nos cinco longas-metragens de ficção: Mortu Nega (Morte negada, 1988), Udju azul di Yonta (Olhos azuis de Yonta, 1992), Po di sangui (Pau/Árvore de sangue, 1996), Nha fala (Minha fala, 2002) e Republica di mininus (República dos meninos, 2012).

Os filmes, legendados em português, serão enviados aos inscritos por meio de links privados que ficarão disponíveis por dois meses (agosto e setembro de 2020). As aulas acontecerão na plataforma Zoom e o curso oferece 90 vagas. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail: cursos@mostradecinemasafricanos.com

As inscrições podem ser feitas no link abaixo:

INSCREVA-SE AQUI

Sobre Jusciele Oliveira

Graduada  em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (2006), Jusciele Oliveira é especialista em Metodologia do Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Docência do Ensino Superior (2010). Mestre em Literatura e Cultura, pela Universidade Federal da Bahia (2013), com a dissertação sob o título “Tempos de Paz e Guerra: dilemas da contemporaneidade no filme Nha fala de Flora Gomes”. Doutora em Comunicação, Cultura e Artes pelo Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve, em Portugal (2018), com bolsa da CAPES Doutorado Pleno no Exterior, com a tese “Precisamos vestirmo-nos com a luz negra”: uma análise autoral nos cinemas africanos – o caso Flora Gomes. Tem experiência e textos publicados nas áreas de cultura, literaturas e cinemas africanos.

 

PROGRAMA DO CURSO

Aula 01 (01/08/2020) – Mortu nega: a luta de independência e o (pós)colonial daqueles que a morte nego-os – contextualização histórica, historiografia dos cinemas africanos de língua oficial portuguesa, Guiné-Bissau, apresentação de Flora Gomes.

Aula 02 (08/08/2020) – “Os sacos dos antigos colonizadores pesam o mesmo que os atuais”: Udju azul di yonta – litígios teóricos, discussões pós-neo-colonial, trilha sonora.

Aula 03 (15/08/2020) – “Na história de Amanha lundju, a tradição não foi respeitada”: Po di sangui – identidades culturais, tradições orais bissau-guineense. 

Aula 04 (22/08/2020) – Nha fala: uma comédia musical de múltiplos trânsitos – questões de gêneros cinematográficos, contemporaneidade. 

Aula 05 (29/08/2020) – Na república das crianças tudo é possível: Republica di mininus – marcas autorais. 

OBS. Programa detalhado será enviado aos inscritos.