
A Fotografia como Afeto e Resistência em “O Retorno das Memórias de Amor”

Mostra de Cinemas Africanos revela novos horizontes para estudantes da rede pública
Entre Lagos e Salvador: O Fardo da Nigéria conecta realidades e emociona público na Mostra de Cinemas Africanos
Filme da diretora Ema Edosio traça narrativa sobre desigualdades sociais e inspira o público a refletir sobre a luta por dignidade e a realização de sonhos
Por Bia Nascimento

Foto Bia Nascimento
Na Saladearte Cinema da UFBA, no bairro do Canela, o público mergulhou em uma uma narrativa que mistura esperança e crítica social na última quinta-feira (19/09) com a exibição do filme O Fardo da Nigéria (2025), da diretora Ema Edosio. A cineasta também esteve presente durante a sessão para um bate-papo com o público sobre seu terceiro longa, que teve sua estreia no Brasil através da Mostra de Cinemas Africanos.
Natural da Nigéria, Ema revela entusiasmo em trazer seu trabalho para o Brasil pela segunda vez, especialmente neste ano em que veio apresentar seu filme na capital baiana. “Salvador é uma cidade muito linda e me lembra a cidade de Lagos, de onde eu venho. Tem sido uma experiência incrível. O que eu espero é que os espectadores, especialmente os brasileiros, segurem um espelho e se vejam”.
Ana Ca
mila Esteves, diretora da Mostra, conta que essa é a segunda estreia do filme no mundo. A primeira foi no Festival Internacional de Cinema de Locarno: “a gente acompanha as carreiras dos diretores. Como muitos são jovens e estão fazendo seus primeiros ou segundo filmes, nossa missão é acompanhar essas carreiras que estão acontecendo, fazer com que esses filmes venham para cá e que as pessoas conheçam”.
Sonhar também é liberdade

Cineasta Ema Edosio em bate-papo com o público. Foto Fernanda Maia
O enredo de O fardo da Nigéria se constrói com a história de cinco jovens: Fagbo, Pocco, Lighter, Movement, Colos e Poppy, um grupo de dançarinos que luta contra o sistema vigente em um país marcado pela desigualdade por meio da arte. Em meio aos gritos de protestos também estão os risos, coreografias e histórias de amor dos jovens sonhadores. Enquanto isso, o protagonista Fagbo lida com o adoecimento da mãe, o que acaba trazendo ainda mais debilidade para a sua vida financeira e de seus colegas.
Dificuldades como essas não impedem que os personagens aproveitem o amor, e principalmente, a arte quando entoam: “dança é vida. Se pudermos dançar, vamos dançar. A última coisa que vamos fazer é desistir”.
Ema acredita que tudo se direciona para as aspirações de cada um. “Todos nós, às vezes, temos sonhos que tivemos que abandonar, mas a questão é por quê e qual sistema nos faz esquecer nossos sonhos. Isso é para os brasileiros, para os nigerianos, para que todos no mundo se levantem e lutem por seus sonhos”, explica.
Público valoriza conexão entre cinema africano e cultura baiana

Casal acompanha edições da Mostra de Cinemas Africanos. Foto Bia Nascimento
Com filmes de vários gêneros e nacionalidades, a Mostra de Cinemas Africanos reúne diferentes públicos, dos menos frequentadores aos que vão ao cinema regularmente. O casal Rita Setaro e João Setaro costumam assistir filmes no circuito saladearte e já esteve presente em outras edições da Mostra de Cinemas Africanos. “Eu sempre procuro filmes que não passam em cinemas de shopping, para ver uma outra variedade”, comenta João
Rita explica que, para ela, é muito importante ter acesso a produções cinematográficas que mostram a cultura baiana e a herança do continente africano e, por isso, escolheram ver O Fardo da Nigéria: “a Bahia tem muito a ver com a África, então é muito interessante assistir filmes africanos e conseguir identificar nossa cultura lá, como herança”.



