
Entre Lagos e Salvador: O Fardo da Nigéria conecta realidades e emociona público na Mostra de Cinemas Africanos

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Mostra de Cinemas Africanos revela novos horizontes para estudantes da rede pública
Sessões especiais reuniram 400 jovens com mediação do Cineclube Kalunga em debates sobre identidade e cultura
Por Estefanie Santos

Foto Fernanda Maia
A Mostra de Cinemas Africanos (MCA) prova que o cinema é muito mais do que entretenimento. Usando a sétima arte como uma poderosa ferramenta de aprendizado e reflexão, o festival trabalha para quebrar barreiras e desconstruir estereótipos, levando a cultura africana para o público baiano.
Em 2025, a Mostra em parceria com a DAN Território e a Secretaria de Educação do Estado da Bahia lançou sessões exclusivas para estudantes da rede pública do estado com o propósito de transformar a sala de projeção em um verdadeiro espaço de diálogo e conhecimento. As exibições aconteceram nos dias 18, 22 e 23 de setembro no Cineteatro 2 de Julho, que recebeu cerca de 400 estudantes nos três dias.
Estiveram presentes estudantes do Colégio Estadual Mestre Paulo Dos Anjos, Escola Estadual Deputado Naomar Alcantara, Colégio Estadual Mestre Moa Do Katende, Colegio Estadual Kleber Pacheco, Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro, Escola Estadual Professora Mariinha Tavares, Colégio Estadual De Nova Esperança e Colégio Estadual Góes Calmon.
Todas as sessões contaram com a mediação do Cineclube Kalunga Bahia em bate-papos liderados pelas cineclubistas Dandara Lopes, Fabiana Santos e Joice Santos, no qual os estudantes puderam compartilhar impressões e dialogar sobre as obras.

Foto Fernanda Maia
Michele Alves, estudante do Colégio Estadual Mestre Paulo dos Anjos, resumiu a importância da iniciativa: “Eu acho que isso mostra que os alunos da rede pública podem sim estar presentes nesses espaços diferentes, que podemos sair da zona de conforto e adquirir conhecimentos fora da sala de aula.”
O professor e vice-diretor da mesma escola, Tiago Naire, que é mestre e doutor em Sociologia, reforçou a ideia: “Uma iniciativa como essa é importante por romper as barreiras de fragmentação social, fazendo com que a cidade tenha realmente seu caráter integrativo e os alunos da escola pública possam usufruir não apenas dos espaços da escola, possibilitando assim uma educação participativa e inclusiva.”
A experiência foi especialmente marcante para um estudante que, emocionado, revelou ser a sua primeira vez em uma sala de cinema. Joice Santos, uma das idealizadoras do Cineclube Kalunga, expressou a alegria da equipe ao ouvir o depoimento: “É isso que a gente quer enquanto cinema. A ideia da parceria é justamente realizar esse diálogo e trazer esses filmes para que vocês tenham acesso.”
A união da Mostra de Cinemas Africanos com o Cineclube Kalunga foi essencial para o sucesso do evento. Enquanto a MCA oferece uma curadoria diversificada de filmes, o Cineclube atua como uma ponte com a comunidade, criando um ambiente acolhedor e educativo. Juntos, eles fortalecem a democratização do acesso ao cinema, levando produções que muitas vezes não chegam aos circuitos comerciais. O resultado é a valorização de identidades, a visibilidade de narrativas negras e a formação de novas gerações de espectadores e realizadores.



