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CineSesc estreia nova temporada do Cine África online em setembro

CineSesc estreia nova temporada do
Cine África online em setembro

Evento gratuito tem início em 10/09 e apresenta filmes inéditos, entrevistas, curso, live e e-book

Entre os meses de setembro e novembro, a Mostra de Cinemas Africanos apresenta a nova edição do Cine África, com vários títulos de ficção e documentários, alguns inéditos no Brasil. O projeto online e gratuito traz 12 sessões (dez longas e dois programas de curtas) – todos legendados em português – com filmes de destaque de Burkina Faso, Camarões, Egito, Etiópia, Nigéria, Quênia, Senegal e Sudão, e outras atividades. As exibições serão realizadas no site da plataforma Sesc Digital. O Cine África é uma realização do Sesc São Paulo

Todas as atividades são gratuitas e os filmes serão exibidos na plataforma Cinema #emcasacomsesc:

sescsp.org.br/cineafrica

Os filmes estarão disponíveis apenas para o Brasil.

Todas as quintas, a partir do dia 10 de setembro, a mostra estreia um filme novo, que ficará disponível por uma semana na plataforma, acompanhado de uma entrevista exclusiva com seu diretor ou diretora. Está previsto um bate-papo com o tema “cinemas africanos em contexto digital”, na live do Cinema da Vela, tradicional encontro no Cinesesc, em São Paulo, que durante a pandemia de Covid-19, ganhou sua versão online. O Cine África inclui também o curso “Cinemas Africanos: trajetórias e perspectivas” com duração de três meses e o lançamento de um e-book ao final da temporada. A curadoria da mostra é assinada por Ana Camila Esteves.

O filme de abertura é o drama “Fronteiras” (2017), da diretora Apolline Traoré. Produção de Burkina Faso, acompanha quatro mulheres que fazem uma perigosa viagem do Senegal à Nigéria. Entre os destaques inéditos está a comédia “aKasha” (2019), de hajooj kuka, primeiro longa de ficção do cineasta e ativista sudanês. Teve sua estreia no Festival de Toronto. “O Fantasma e a Casa da Verdade (2019), de Akin Omotoso, mesmo realizador do longaVaya” (2016), acompanha uma mulher que tem a filha sequestrada em Lagos (Nigéria). Outros títulos importantes da mostra são “Nada de errado” (2019), documentário coletivo sobre imigrantes africanos (legais e ilegais) na Suíça e o drama queniano “Supa Modo”, sobre uma menina com uma doença terminal que sonha ser uma super heroína.

Para Ana Camila Esteves, o recorte curatorial atende à demanda por filmes recentes produzidos na África e sua diáspora nos últimos cinco anos: “A curadoria para este formato online privilegia filmes africanos contemporâneos que já tiveram suas trajetórias em festivais internacionais encerradas, mas que permanecem relevantes e, em sua maioria, não exibidos no Brasil”, resume. Ana Camila destaca também os programas de curtas exclusivos “Beyond Nollywood”, com curadoria da produtora Nadia Denton, que foca em narrativas da Nigéria atual, e “Quartiers Lointains”, com curadoria da jornalista franco-burquinense Claire Diao e o tema Afrofuturismo.

Programação Cine África – Nova Temporada

Todas as atividades são gratuitas e disponíveis na plataforma Cinema #emcasacomsesc.

Maiores informações no site: mostradecinemasafricanos.com 

Setembro

10/09 (qui) – “Fronteiras”, de Apolline Traoré (Burkina Faso, 2017) – Drama – 91 min – 14 anos

17/09 (qui) – “O Enredo de Aristóteles”, de Jean-Pierre Bekolo (Camarões, 1996) – Comédia – 71 min – LIVRE

24/09 (qui) – “aKasha”, de hajooj kuka (Sudão, 2019) – Comédia – 78 min – LIVRE

Outubro

01/10 (qui) – “Lua Nova”, de Philippa Ndisi-Hermann (Quênia, 2019) – Documentário – 70 min – LIVRE

02/10 (sex), às 17hCinema da Vela – com o tema Cinemas africanos em contextos digitais. Participantes: Ana Camila Esteves (Brasil), Marina Gonzaga (Brasil/França) e Jorge Cohen (Angola).

08/10 (qui) – “O Fantasma e a Casa da Verdade”, de Akin Omotoso (Nigéria, 2019) – Drama – 107 min – 12 anos

15/10 (qui) – “Rosas Venenosas”, de Fawzi Saleh (Egito, 2018) – Drama – 70 min – 12 anos

22/10 (qui) – “Madame Brouette”, de Moussa Sene Absa (Senegal, 2002) – Drama – 101 min – 12 anos

29/10 (qui) – “Beyond Nollywood – Sofrendo e Sorrindo” (Nigéria) – Programa de curtas – 99 min – 14 anos

Novembro

05/11 (qui) – “Nada de errado”, de vários diretores (Suíça, 2019) – Documentário – 49 min – LIVRE

12/11 (qui) – “O Preço do Amor”, de Hermon Hailay (Etiópia, 2015) – Drama – 99 min – 12 anos

19/11 (qui) – “Quartiers Lointains – Afrofuturismo” (diáspora francesa) – Programa de curtas – 100 min – 12 anos

26/11 (qui) – “Supa Modo”, de Likarion Wainaina (Quênia, 2018) – Drama – 74 min – LIVRE

 

Cinema da Vela (02/10 às 17h) – com o tema Cinemas africanos em contextos digitais. Participantes: Ana Camila Esteves (Brasil), Marina Gonzaga (Brasil/França) e Jorge Cohen (Angola). No canal do Cinesesc no YouTube: https://www.youtube.com/CineSesc

Curso – Com duração de três meses, a atividade oferece um panorama sobre os cinemas africanos. As inscrições gratuitas abrem no dia 10 de setembro e são oferecidas 35 vagas. Facilitadores: Ana Camila Esteves, Jusciele Oliveira, Morgana Gama e Marcelo Ribeiro. Inscrições em: https://inscricoes.sescsp.org.br/online – a partir do dia 10/09 (qui), às 14h.

E-book – Ao fim do evento será disponibilizado um e-book – desenvolvido ao longo das atividades – com textos sobre o universo dos cinemas africanos em diversos formatos: artigos, ensaios, entrevistas e críticas.

 

Nossos canais de comunicação:

Site oficial: www.mostradecinemasafricanos.com 

Instagram: @mostradecinemasafricanos

Facebook: /mostradecinemasafricanos

E-mail: info@mostradecinemasafricanos.com 

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Assista o documentário “Wax Print” grátis por uma semana!

Documentário sobre os famosos tecidos africanos é exibido online pela Mostra de Cinemas Africanos em parceria com o Africa in Motion Film Festival e a Aya Films.

Quem de nós não ama os tecidos africanos? Mas quem de nós já se perguntou sobre a origem dessas impressões de cera e das lindas estampas usadas pelos africanos na África e em todo o mundo?

Surpresa ao saber de sua avó nigeriana que os tecidos ‘tradicionais’ africanos impressos em cera foram uma invenção colonial do Reino Unido e da Holanda, a cineasta e estilista britânica Aiwan Obinyan parte em uma jornada por quatro continentes para traçar os 200 anos de história deste icônico tecido que passou a representar visualmente a África e os africanos.

“Wax Print”, que em tradução literal é “impressão de cera”, apresenta um conteúdo muito interessante em torno de questões de identidade e africanidade a partir de perguntas que parecem simples, mas que guardam respostas inesperadamente complexas. Aiwan nos convida a ir com ela em países como Gana, Nigéria, Holanda e Reino Unido, nos fazendo acompanhar a história dos tecidos africanos a partir da sua própria história como uma africana residente na Europa.

A convite do Africa in Motion Film Festival e em parceria com a Aya Films, legendamos “Wax Print” e disponibilizamos o filme para o Brasil e dois dos países africanos de língua oficial portuguesa: Angola e Cabo Verde. O longa fica disponível entre os dias 20 e 27 de agosto de 2020, gratuitamente no site do Africa in Motion.

Assista aqui.

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Plataforma de filmes africanos disponível no Brasil – veja como colaborar!

Plataforma Cinewax OAFF (Online African Film Festival) levanta fundos para seu lançamento

Em parceria com a Mostra de Cinemas Africanos, OAFF oferecerá legendas em português para os filmes disponíveis no seu acervo, além de conteúdo pensado para países de língua oficial portuguesa e opções de pagamento em reais. Veja aqui como colaborar com a campanha via PayPal.

 

A Cinewax promove filmes africanos desde 2015. A associação quer agora oferecer um novo recurso, a OAFF (Online African Film Festival), plataforma global dedicada aos filmes africanos e afro-diaspóricos. Após dois anos organizando um festival online, a ideia é impulsioná-lo e criar uma plataforma disponível durante todo o ano no mundo inteiro, incluindo legendas e conteúdo em língua portuguesa – iniciativa inédita entre plataformas do mesmo nicho.

Para conseguir lançar a plataforma, a Cinewax lançou uma campanha participativa de financiamento no Kickstarter. A vaquinha, que terminará no dia 3 de agosto tem como objetivo atingir um mínimo de 25.000 euros para reabrir a plataforma. Se o objetivo não for alcançado, a plataforma não será lançada. O público brasileiro pode colaborar via PayPal, com pagamento em REAIS, e obter recompensas diversas de assinaturas no serviço de streaming.

O destaque vai para o acesso vitalício por R$ 480, oferta exclusiva somente durante a campanha Kickstarter. As outras opções incluem um mês de acesso por R$ 26, seis meses de acesso por R$ 130, e um ano de acesso por R$ 260. Todos esses valores também estão disponíveis somente durante a campanha.

Em 2020, os filmes africanos ainda precisam de visibilidade, e a ideia da plataforma é criar um espaço para mostrar os talentos africanos e suas histórias. A Mostra de Cinemas Africanos entra como parceira nesse projeto, ampliando a sua atuação como espaço de difusão de filmes africanos com legendas em português, não só no Brasil, mas também nos países africanos de língua portuguesa.

Confira a página da campanha: https://bit.ly/OAFF_Kickstarter

Para colaborar, as transferências do Brasil devem ser feitas através do PayPay, direcionadas para: oaff.cinewax@gmail.com

Veja mais abaixo os detalhes sobre a campanha.

OAFF é o primeiro festival mundial de filmes AFRICANOS e da DIÁSPORA, e plataforma de streaming on-line.

É chegada a hora de apoiar a nova geração de cineastas africanos e lhes dar uma plataforma para se expressar. Esteja você no Gana, Senegal, África do Sul, Jamaica, Brasil, França, Canadá, EUA etc. Todos nós temos uma conexão com a África e sua diáspora.

A plataforma OAFF dá acesso à cultura e histórias africanas contadas pelos africanos.

Cineastas africanos têm tantas histórias para contar!

QUAL O OBJETIVO DA CAMPANHA?

  • Após 5 anos organizando festivais de cinema, queremos dar mais acesso a filmes africanos durante todo o ano.
  • Nossa plataforma de streaming atual era muito cara para operar e não muito amigável. Queremos melhorar a experiência do usuário e gerenciar nossos custos operacionais.
  • Também gostaríamos de adquirir novos filmes e séries com melhores modelos de pagamento para cineastas. Estamos contando com sua ajuda para fazer isso.
  • Estimamos que podemos ter pelo menos +100 filmes por ano. Introduziremos um novo modelo de filmes gratuitos para quem não puder pagar uma assinatura.

 

CONFIRA NOSSAS RECOMPENSAS

– – – OFERTAS MENSAIS – – –

RECOMPENSA 1 – Por R$ 26 – 1 mês de acesso HD no OAFF (-20%)

RECOMPENSA 2 – Por R$ 130 – acesso HD de 6 meses no OAFF (-55%)

– – – – OFERTAS ANUAIS – – – –

RECOMPENSA 3 – Por R$ 260 – 1 ano de acesso HD ao OAFF (-55%) (+ descontos)

– – – OFERTAS PARA TODA A VIDA (LIMITADAS) – – –

RECOMPENSA 5 – Por R$ 480 – Acesso vitalício ao HD (-> limitado a 50)

 

Na nova plataforma de streaming, você terá novos recursos, como:

  • Comentário sobre filmes
  • Classificações em filmes
  • Streaming de filmes em HD
  • Aplicativo para dispositivos móveis (IOs, Android)
  • Contas compartilháveis (até 3 telas)
  • Júri do Espectador – O público será selecionado para participar de júris mensais e votará em seus filmes favoritos. Ofereceremos recompensas aos cineastas vencedores!
  • Listas de filmes personalizados: Escolha do público, Documentário, Longas-metragens, Curtas-metragens, Mais vistos, Infantil
  • Recurso de pesquisa para ajudá-lo a encontrar filmes facilmente
  • Assinaturas vitalícias sem anúncios
  • Modelo gratuito para assistir a filmes patrocinados

 

QUE FILMES VOCÊ PODERÁ VER?

Estamos oferecendo uma grande variedade de filmes, documentários e curtas-metragens: do Senegal, Marrocos, Quênia, Egito, Congo, França, EUA, até a Colômbia … Do norte ao sul da África e todas as diásporas.

A diretora queniana Wanuri Kahiu apresenta seu trabalho e a importância de filmar a alegria negra.

Uma prévia dos filmes que você verá na plataforma OAFF:

 

Conheça a história da Cinewax OAFF em cinco marcos:

 

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Mostra de Cinemas Africanos exibe curtas dirigidos por mulheres africanas sobre a pandemia da Covid-19

Mostra de Cinemas Africanos exibe curtas dirigidos por mulheres africanas sobre a pandemia da Covid-19

Filmes podem ser acessados no site do Africa in Motion Film Festival com legendas em português. Iniciativa da Ladima Foundation, curtas são resultado de concurso de filmes voltado para jovens realizadoras africanas

A Mostra de Cinemas Africanos tem a honra de, em parceria com o Africa in Motion Film Festival, exibir os dez curtas-metragens de mulheres africanas apresentados pela Ladima Foundation. Os filmes, com duração de até dois minutos, podem ser vistos a partir de hoje, 11 de julho de 2020, durante três meses no site do Africa in Motion com legendas em português fornecidas pela Mostra.

Assista aqui.

Esses curtas são resultado de um concurso de filmes realizado pela Ladima Foundation em parceria com a DW Akademie, African Women in the Time of Covid-19, que convidou mulheres africanas a compartilhar suas histórias sobre o impacto pessoal, econômico e social da Covid-19 na África. 

Os filmes corajosos e poderosos que foram submetidos tristemente refletiram as circunstâncias extremamente difíceis que muitas mulheres africanas estão enfrentando. As histórias mostraram como, em muitos casos, a pandemia realmente impactou as mulheres com mais força e de maneiras diferentes do que os homens.

Foram enviados cerca de 200 filmes de 18 países africanos que compartilharam suas histórias comoventes e honestas sobre uma diversidade de tópicos com temas dominantes de violência doméstica, falta de oportunidades, aumento da carga de cuidados, mas também histórias de resiliência e esperança.

As dez realizadoras que tiveram seus filmes selecionadas receberam um cachê de 500 euros e terão os filmes exibidos em diversos meios e formatos. A Mostra de Cinemas Africanos se junta a essa iniciativa de difusão de histórias construídas a partir dos olhares de jovens mulheres africanas sobre suas próprias vidas. A diversidade desses olhares reflete diversas camadas em torno das vidas cotidianas dessas mulheres em países e classes sociais diferentes.

Nossa contribuição com a tradução e legendagem dos 10 curtas aumenta a visibilidade e alcance dessas narrativas entre os países de língua oficial portuguesa: Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Portugal. A transcrição, tradução e legendagem  foram realizadas por Ana Camila Esteves, Edmilia Barros e Emma Melissa Saville.

SOBRE A LADIMA FOUNDATION

A Ladima é uma organização sem fins lucrativos pan-africana fundada com o objetivo de contribuir para corrigir os principais desequilíbrios de gênero nas indústrias de cinema, TV e conteúdo. Por meio de várias iniciativas, a Ladima apoia, treina e orienta mulheres em diversos papéis nos espaços de cinema, TV e conteúdo.

Através de parcerias e colaborações em vários países, bem como através de redes e intervenções pan-africanas, a Fundação Ladima está comprometida com o desenvolvimento de treinamento, criação de redes e oportunidades relacionadas para as mulheres profissionais que demonstram sua seriedade e compromisso com seu ofício.

Veja abaixo mais detalhes sobre cada uma das cineastas que fazem parte desse projeto e as sinopses dos curtas.

 

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Curso aborda obra autoral do cineasta Flora Gomes

Curso aborda obra autoral do cineasta Flora Gomes

Encontros acontecem aos sábados do mês de agosto e serão facilitados por Jusciele Oliveira. Filmes do diretor, que participará de uma das aulas, serão enviados em links privados aos inscritos.

Neste mês de agosto, a Mostra de Cinemas Africanos promove o curso “A cinematografia múltipla de Flora Gomes”, ministrado pela pesquisadora e especialista na obra do cineasta da Guiné-Bissau, Jusciele Oliveira. Os encontros acontecem aos sábados de agosto, das 15h às 19h (total de 20 horas), e contarão com a presença do próprio diretor em uma das aulas. O investimento é de R$ 200, com emissão de certificado.

Flora Gomes é um dos nomes mais importantes dos cinemas africanos. Estudou cinema em Cuba, no Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica – ICAIC (1967-1972), sob os ensinamentos de Santiago Álvarez Román; e em Dakar, na Televisão Senegalesa (1972-1973), sob orientação de um dos mestres dos cinemas africanos, Paulin Soumanou Vieyra. Iniciou a sua carreira cinematográfica ao lado de Sana Na N’Hada co-realizando com este dois curtas-metragens: O regresso de Cabral (1976) e Anos no oça luta (1976). Seus longas-metragens de ficção são: Mortu nega (Morte negada, 1988), Udju azul di Yonta (Olhos azuis de Yonta, 1992), Po di sangui (Pau/Árvore de sangue, 1996), Nha fala (Minha fala, 2002) e Republica di mininus (República de meninos, 2012); e do documentário As duas faces da guerra (2006), que assina em coautoria com Diana Andringa. 

Com este curso, espera-se contribuir também com o alargar de conhecimentos em torno da Guiné-Bissau por meio da obra Flora Gomes, que em seus filmes apresenta a sociedade, a história, memórias e tradições bissau-guineenses de maneira em nada estereotipada. O curso terá ênfase na área dos estudos cinematográficos, partindo da concepção de autoria e da teoria dos autores para pensar a obra do diretor.

Através de análises fílmicas orientadas, serão destacados traços formais, estilísticos, estéticos e de conteúdo do realizador, examinando as estratégias de mise en scène, modo de construção narrativa e recorrências temáticas encontradas nos cinco longas-metragens de ficção: Mortu Nega (Morte negada, 1988), Udju azul di Yonta (Olhos azuis de Yonta, 1992), Po di sangui (Pau/Árvore de sangue, 1996), Nha fala (Minha fala, 2002) e Republica di mininus (República dos meninos, 2012).

Os filmes, legendados em português, serão enviados aos inscritos por meio de links privados que ficarão disponíveis por dois meses (agosto e setembro de 2020). As aulas acontecerão na plataforma Zoom e o curso oferece 90 vagas. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail: cursos@mostradecinemasafricanos.com

As inscrições podem ser feitas no link abaixo:

INSCREVA-SE AQUI

Sobre Jusciele Oliveira

Graduada  em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (2006), Jusciele Oliveira é especialista em Metodologia do Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Docência do Ensino Superior (2010). Mestre em Literatura e Cultura, pela Universidade Federal da Bahia (2013), com a dissertação sob o título “Tempos de Paz e Guerra: dilemas da contemporaneidade no filme Nha fala de Flora Gomes”. Doutora em Comunicação, Cultura e Artes pelo Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve, em Portugal (2018), com bolsa da CAPES Doutorado Pleno no Exterior, com a tese “Precisamos vestirmo-nos com a luz negra”: uma análise autoral nos cinemas africanos – o caso Flora Gomes. Tem experiência e textos publicados nas áreas de cultura, literaturas e cinemas africanos.

 

PROGRAMA DO CURSO

Aula 01 (01/08/2020) – Mortu nega: a luta de independência e o (pós)colonial daqueles que a morte nego-os – contextualização histórica, historiografia dos cinemas africanos de língua oficial portuguesa, Guiné-Bissau, apresentação de Flora Gomes.

Aula 02 (08/08/2020) – “Os sacos dos antigos colonizadores pesam o mesmo que os atuais”: Udju azul di yonta – litígios teóricos, discussões pós-neo-colonial, trilha sonora.

Aula 03 (15/08/2020) – “Na história de Amanha lundju, a tradição não foi respeitada”: Po di sangui – identidades culturais, tradições orais bissau-guineense. 

Aula 04 (22/08/2020) – Nha fala: uma comédia musical de múltiplos trânsitos – questões de gêneros cinematográficos, contemporaneidade. 

Aula 05 (29/08/2020) – Na república das crianças tudo é possível: Republica di mininus – marcas autorais. 

OBS. Programa detalhado será enviado aos inscritos.

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Cine África ganha duas sessões extras com realizadores de Cabo Verde e Angola

Cine África ganha duas sessões extras com realizadores de Cabo Verde e Angola

Dois longas do festival We Are One se juntam à programação do Cine África | Em Casa

Nos dias 6 e 10 de junho, às 16h, o Cine África, cineclube que tem como principal objetivo difundir no Brasil a produção audiovisual africana, promove encontros com realizadores de Cabo Verde e Angola, pelo YouTube. O público poderá assistir (e debater com os cineastas) os longas “Kmêdeus” e “Ar-Condicionado”, gratuitamente. Ambos integram o festival We Are One: A Global Film Festival. Agora com onze títulos, o Cine África | Em Casa segue sua programação online até julho. 

As coordenadoras do Cine África, Ana Camila Esteves, Jusciele Oliveira e Morgana Gama, conduzem um bate-papo com o diretor Nuno Miranda e o produtor Pedro Soulé, de Cabo Verde, responsáveis pela realização do documentário “Kmêdeus”, no dia 6 de junho, sábado. O encontro conta ainda com a presença do artista António Tavares, autor da performance que inspirou narrativa do longa que gira em torno de uma figura mítica da cidade de Mindelo. 

Já no dia 10 (quarta), é a vez do diretor Fradique e do produtor Jorge Cohen, que estão à frente do longa de ficção “Ar-Condicionado”. A Geração 80, produtora que assina o filme, é a maior e mais relevante de Angola neste momento, e este é o seu primeiro longa de ficção. Na trama, quando os aparelhos de ar condicionado começam a cair dos apartamentos de Luanda, um guarda e uma empregada tem a missão de recuperar o aparelho do chefe.

Ambos os filmes estrearam mundialmente este ano no Festival de Roterdã e entraram na programação do We Are One: A Global Film Festival, que reuniu festivais de todo o mundo para exibir filmes no YouTube por uma semana. “A ideia do Cine África é aproximar o público brasileiro do cenário audiovisual africano com depoimentos dos próprios realizadores, tanto no âmbito da criação como no da produção”, explica Ana Camila Esteves, uma das organizadoras do evento.

Os encontros serão transmitidos no canal do Cine África no YouTube, nos dias 6 (sab) e 10 (qua) de junho, sempre às 16h. 

SOBRE OS FILMES

“KMÊDEUS” (dir. Nuno Miranda. Cabo Verde, 2020. Kriolscope. 53min)

O filme gira em torno da história intrigante de um misterioso excêntrico sem-teto chamado Kmêdeus (“Comer Deus”) que morava na ilha de São Vicente, Cabo Verde. Para alguns, ele era um lunático, para outros, um artista. Mas para todos, ele era e ainda é um mistério. António Tavares, um importante dançarino contemporâneo de Cabo Verde, criou uma performance baseada na vida e no mundo interior de Kmêdeus. Ele nos leva em uma viagem por sua cidade natal, Mindelo, as músicas e filmes da ilha e a celebração de seu carnaval anual. Torna-se, assim, uma busca pelos aspectos fundamentais de uma das comunidades crioulas mais antigas do mundo.

Link pra ver o filme: https://youtu.be/eSEiE-rWRSU (disponível no dia 3 de junho às 10h e por sete dias)

Link do bate-papo: https://youtu.be/UTTYiBhZ7YM (dia 06 de junho, às 16h)

 

“AR-CONDICIONADO” (dir. Fradique. Angola, 2020. Geração 80. 73min)

Quando os ares condicionados começam misteriosamente a cair dos apartamentos na cidade de Luanda, Matacedo e Zezinha, um guarda e uma empregada doméstica, tem a missão de recuperar o aparelho do chefe. Essa missão leva-os à loja de materiais elétricos do Kota Mino, que está a montar em segredo uma complexa máquina de recuperar memórias. “Ar Condicionado” é uma jornada de mistério e realidade, uma crítica sobre classes sociais e como nós vivemos em conjunto nas esperanças verticais, no coração de uma cidade que é passado-presente-futuro.

Link para ver o filme: https://youtu.be/cfEWfx9RMLQ (disponível dia 6 de junho às 12h45 e por sete dias)

Link para o bate-papo: https://youtu.be/UBeiAX2iQMo (dia 10 de junho às 16h)

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Confira os filmes africanos na programação do We Are One – A Global Film Festival

Entre os dias 29 de maio e 7 de junho de 2020, acontece o We Are One – A Global Film Festival, uma iniciativa que reúne diversos festivais internacionais com o objetivo de exibir filmes online curados por esses eventos. O projeto foi pensado pelo Tribeca Film Festival e reúne grandes festivais como Cannes, Berlinale, Rotterdam, Veneza e Sundance. Todos os filmes serão exibidos no canal do We Are One no YouTube.

A programação saiu hoje e fizemos uma busca pelos filmes africanos que serão exibidos. Imaginamos que serão todos legendados em inglês, mas mesmo assim fizemos um levantamento dos títulos dirigidos por africanos, ou daqueles que tratam do universo da África de algum modo.

A programação completa você pode conferir no site oficial do We Are One. Aqui você confere os títulos, datas de exibição e sinopses traduzidas dos filmes africanos em exibição. Clique nos títulos dos filmes para acessar as informações de horários e links para assisti-los.

***

Crazy World, de Nabwana IGG (Uganda, 2019) 65min | dia 29/05

Sinopse: Neste filme de ação do ugandês Nabwana I.G.G. produzido no seu estúdio Wakaliwood, uma gangue de mafiosos que roubam crianças, conhecida como Máfia do Tigre, cria um novo esquema, baseado na ideia de que o sangue das crianças pode ter propriedades sobrenaturais. Mas eles cometem um erro fatal quando sequestram o Waka Stars, uma equipe de mestres de kung-fu mirim que logo investem sua inteligência e habilidades mortais em seus sequestradores. O filme foi selecionado pelo Toronto International Film Festival em 2019 e é um mergulho alucinante nessa indústria de filmes de ação em Uganda.

 

Daughters of Chibok, de Joel Kachi Benson (Nigéria, 2019) 11min | dia 29/05

Sinopse: Em 14 de abril de 2014, a cidade agrária de Chibok, na zona nordeste da Nigéria, foi lançada no centro das atenções globais quando o grupo terrorista Boko Haram invadiu a comunidade à noite e sequestrou 276 adolescentes escolares de seus dormitórios. O filme lida com as consequências dos sequestros e explora questões globais em torno de equidade de gênero e direito à educação.

 

Ivory Burn, de Nicholas de Pencier, Jennifer Baichwal, Edward Burtynsky (Canadá, Quênia, 2018) 7min | dia 29/05

Sinopse: Em 30 de abril de 2016, a maior queima de marfim da história ocorreu no Parque Nacional de Nairóbi. Onze piras – compostas por 105 toneladas de presas de elefante confiscadas e 1,35 toneladas de chifre de rinoceronte – foram incendiadas como um apelo para interromper todo o comércio de marfim. O valor das ruas das piras foi estimado entre 105 e 150 milhões de dólares, representando entre 6.000 e 7.000 elefantes. Este filme captura essa mensagem profundamente simbólica e visceral aos sindicatos de caça furtiva e comércio ilegal e testemunha a perda da vida animal e a diversidade que ela incorporava.

 

My Africa, de David Allen (UK, Quênia, 2018) 9min | dia 29/05

Sinopse: No norte do Quênia, o futuro da vida selvagem e das pessoas está entrelaçado. Fique no meio de uma migração estrondosa de gnus, testemunhe uma leoa arrebatar sua presa – e conheça uma comunidade dedicada a salvar a vida selvagem da África. Essa experiência combinada de realidade mista coloca os participantes no lugar de um guardião do Reteti Elephant Sanctuary, que cuida da chegada mais recente, um bebê elefante chamado Dudu.

 

Tapi!, de Jim Chuchu (Quênia, 2020) 25min | dia 03/06

Sinopse: Tapi! é um pequeno documentário que explora um momento formativo na vida do curandeiro ritual queniano Jackson, um dos últimos praticantes da prática de cura ritual chamada utapishi (“tapi”). Os líderes da igreja cristã local não estão felizes com a influência do ritual e decidem ir ao tribunal. Jackson recua contra a ameaça da proibição de tapi por movimentos religiosos que parecem determinados a apagar a complexa história de um povo.

 

Volubilis, de Faouzi Bensaïdi (Marrocos, 2017) 107min | dia 03/06

Sinopse: Na cidade marroquina de Meknès, os recém-casados Abdelkader e Malika lutam para sobreviver. Eles dividem um pequeno apartamento com a família de Abdelkader – incluindo seus cinco irmãos mais novos e seu pai doente e viciado em álcool -, mas sonham em um dia sair para começar uma vida própria juntos. Mas um dia, quando Abdelkader aparece em seu trabalho como guarda de segurança, um incidente inesperado e violento ameaça arrancar completamente seu destino.

 

Kmêdeus, de Nuno Miranda (Cabo Verde, 2020) 52 min | dia 03/06

Sinopse: Na ilha de São Vicente, Cabo Verde, sussurros enigmáticos envolviam um excêntrico sem-teto. Enquanto ele vagava pela ilha, as pessoas especularam sobre sua história – algumas o chamavam de lunático, outras de artista e filósofo – mas ninguém sabia quem ele realmente era. Eles só sabiam o nome dele: Kmêdeus, traduzido como “Coma Deus”. O coletivo cabo-verdiano Negrume acompanha o dançarino contemporâneo António Tavares através de sua performance hipnotizante, criada e apresentada em 2008, que busca evocar o mundo interior de Kmêdeus. Para este filme, Tavares percorre sua coreografia enquanto atravessa a cidade de Mindelo e tece as energias de sua música, cinema e celebrações anuais de carnaval em sua interpretação. Enquanto Tavares se esforça para honrar os mistérios de um homem, ele se vê traçando narrativas coletivas e culturais: Kmêdeus equilibra uma exploração gestual de seu xará com uma imersão fascinante nas tradicionais comunidades crioulas de Cabo Verde.

 

Ar Condicionado, de Fradique (Angola, 2020) 73min | dia 06/06

Sinopse: É um dia sufocante em Luanda, capital de Angola, quando os aparelhos de ar condicionado misteriosamente começam a se desprender das janelas do prédio e, sem aviso prévio, caem no chão. Em certo sentido, o relógio começa a disparar quando Matacedo é enviado para buscar uma unidade de reposição até o final do dia, mas o filme flui pelas correntes da cidade: o que começa como uma simples uma tarefa evolui para uma viagem agradavelmente surreal, inflada por jazz e por rap pelas ruas da cidade.

 

Atlantiques, de Mati Diop (Senegal, 2009) 15min | dia 07/06

Sinopse: O documentário ricamente texturizado de Mati Diop – tanto sua estreia experimental quanto um precursor de seu longa-metragem vencedor Grande Prêmio em Cannes, Atlantique – conta a história da trágica viagem migratória de um garoto no Senegal.

 

Parsi, de Eduardo Williams e Mariano Blatt (Guiné-Bissau, Argentina, Suíça 2018) 23min | dia 07/06

Sinopse: Comissionado para a Bienal da Imagem em Movimento de 2018, o mais recente trabalho imersivo de Eduardo Williamsv usa trabalho de câmera de 360 graus para explorar a linguagem rítmica e discursiva do poema de Mariano Blatt “No es” contra as pessoas em constante movimento da Guiné Bissau.

 

Pelourinho, They Don’t Really Care About Us, de Akosua Adoma Owusu (Gana, US, Brasil, 2019) 9min | dia 07/06

Sinopse: Em 1927, W. E. B. Du Bois escreveu à Embaixada dos EUA no Brasil sobre a atitude discriminatória do país em relação aos imigrantes negros. Akosua Adoma Owusu transmite essa correspondência por meio da montagem, justapondo leituras de voz das cartas, suntuosas imagens em Super-8 gravadas nas ruas de Pelourinho e imagens intercaladas do polêmico videoclipe de Spike Lee para “They Really Care About Us”, de Michael Jackson, resultando em um filme que rapidamente rastreia quase um século de agitação social.

 

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Cine África | Em Casa – programação completa e inscrições

O Cine África é um cineclube que tem como principal objetivo difundir a produção audiovisual realizada no continente africano. O projeto surgiu em 2019 dentro da programação do Circuito Saladearte em Salvador (Bahia), vinculado à Mostra de Cinemas Africanos. Em tempos de isolamento social, decidimos realizar o Cine África – Em Casa, permitindo que continuemos com o nosso objetivo de aumentar o repertório do público brasileiro de filmes de cineastas africanos(as).

A ideia é, em formato digital, nos reunirmos para um bate-papo sobre os filmes exibidos, e nossos convidados serão sempre de quem pesquisa ou se interessa por África e pelos assuntos convocados pelos filmes. A programação tem inicialmente a duração de três meses (maio-junho-julho) com 03 sessões mensais. O formato é simples: os interessados devem se inscrever no formulário abaixo para receber o link do filme daquela sessão, e nos dias e horas marcados nos encontraremos em uma sala virtual para conversar sobre a obra. Cada encontro terá a participação de um convidado e de um mediador, e o público é estimulado a mandar perguntas e enriquecer o debate.

As sessões acontecem sempre aos sábados (os três últimos de cada mês) e sempre às 16h. Confira programação completa abaixo.

O Cine África é uma realização da Mostra de Cinemas Africanos em parceria com o Circuito Saladearte, e é coordenado por Ana Camila Esteves, Jusciele Oliveira e Morgana Gama.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

MAIO
16- “Mossane”, de Safi Faye (Senegal,1996)
Convidada: Evelyn Sacramento
23- “Moolaadé”, de Ousmane Sembène (Senegal, 2004)
Convidado: Márcio Paim
30- “Sambizanga”, de Sarah Maldoror (Angola, 1972)
Convidada: Renata Dariva

JUNHO
13- “Inxeba”, de John Trengove (África do Sul, 2017)
Convidado: Lecco França
20- “Lionheart”, de Genevieve Nnaji (Nigéria, 2018)
Convidada: Marina Gonzaga
27- “Yeleen”, de Souleymane Cissé (Mali, 1987)
Convidada: Janaína Oliveira

JULHO
11- “Félicité”, de Alain Gomis (Senegal, 2017)
Convidada: Maíra Zenun
18- “Ceddo”, de Ousmane Sembène (Senegal, 1977)
Convidado: Detoubab Ndiaye
25- “Heremakono”, de Abderrahmane Sissako (Mauritânia, 2002)
Convidada: Hannah Serrat

FORMATO

O Cine África | Em Casa funcionará da seguinte maneira:
– Serão abertas inscrições para quem quiser ver o filme da semana e participar do bate-papo;
– No sábado anterior ao dia do bate-papo, disponibilizamos o filme indicado para que as pessoas assistam em casa. Se o filme não estiver em uma plataforma como Netflix, YouTube ou similares, ele ficará disponível até o sábado do encontro;
– No caso de o filme estar disponível em plataformas VOD, indicaremos onde é possível assistir;
– Às 16h do dia marcado, nos encontraremos em uma plataforma de reuniões virtuais (o link da reunião será enviado previamente a todos os participantes inscritos);
– O bate-papo terá o tempo máximo de 2h de duração e contará com a mediação de uma das coordenadoras do Cine África;
– O convidado pode fazer uma fala inicial de 10 a 15min, depois a mediadora fará em torno de 3 perguntas para estimular a participação, e logo depois abrimos para o público, que mandará suas perguntas via chat.

Ao final de cada sessão, estimulamos que o convidado ou algum outro participante escreva uma crítica ou um ensaio sobre o filme que acabaram de discutir, a ser publicado no site oficial da Mostra de Cinemas Africanos. Dessa forma, podemos continuar gerando conteúdo em língua portuguesa sobre esta cinematografia, e de forma colaborativa.

Nossos canais de comunicação:
Site oficial: www.mostradecinemasafricanos.com
Instagram: @mostradecinemasafricanos
Facebook: /mostradecinemasafricanos

Dúvidas podem ser sanadas por e-mail: cineafrica@mostradecinemasafricanos.com

INSCREVA-SE AQUI

Este formulário de inscrição é único para toda a nossa programação. Você tem a opção de se inscrever para todos os encontros ou somente para aqueles que lhe interessa, basta preencher o formulário de acordo com as suas preferências. Se quiser cancelar a inscrição em algum momento, pode solicitar por e-mail: cineafrica@mostradecinemasafricanos.com

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Saiba mais sobre a vida e obra de Sarah Maldoror (1929-2020)

Saiba mais sobre a vida e obra de Sarah Maldoror (1929-2020)

O dia 13 de abril de 2020 marcou um falecimento muito triste para os cinemas africanos. Vítima da Covid-19, a cineasta Sarah Maldoror nos deixou aos 90 anos, quando ainda estava lúcida e dedicada à sua luta pelas mulheres nos cinemas da África.

Para quem ainda não conhecia sua vida e obra, decidimos publicar aqui a tradução do trecho do livro Women in African Cinema: Beyond the Body Politic (Lizelle Bisschoff & Stefanie Van de Peer, Routledge 2019) que trata da diretora e sua importância para a história dos cinemas africanos. Leia abaixo.

O trecho original foi publicado na página do Facebook do Africa in Motion Film Festival e pode ser acessado aqui.

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Cineasta nascida em Guadalupe, Sarah Maldoror, que foi casada com o revolucionário angolano Mário Pinto de Andrade, fez uma imensa contribuição às culturas cinematográficas de Angola e Moçambique, com frequência focando no papel da mulher nas lutas de libertação nesses países. Maldoror, que estudou cinema na ex-União Soviética com o diretor senegalês Ousmane Sembène, começou sua carreira na direção durante os anos das lutas de independência da África, e revela em seus filmes um profundo comprometimento com a história das lutas de libertação. Antes de “Sambizanga”, seu principal longa-metragem de 1972, ela dirigiu o curta “Monangambé” em 1968 na Argélia. Tanto um como o outro foram adaptações de histórias escritas pelo romancista angolano Luandino Vieira. “Sambizanga”, que trata da participação das mulheres nas lutas pela libertação através da jornada da protagonista, é um clássico filme africano que tem sido largamente ensinado, discutido e analisado, e é central para o desenvolvimento dos cinemas africanos.

Por conta da origem caribenha de Maldoror, ela estava no olho do furacão que se deu na edição de 1991 da FESPACO, quando, em um encontro de cineastas mulheres, foi pedido que aquelas da diáspora africana se retirassem. Maldoror deu o seguinte depoimento sobre o acontecido em uma entrevista a Beti Ellerson: “Nos disseram para sair porque não éramos consideradas africanas. Nós estamos na África, é claro que sou africana. Certamente meus pais eram africanos. Por que sou de Guadalupe? Porque meus pais foram vendidos como escravos. Sou parte do grupo de africanos que foram escravizados e deportados” (Ellerson, 2000, p. 165). Hoje ela é vista como uma das mais importantes cineastas pioneiras da África.

Os governos dos países de língua oficial portuguesa tinham um papel importante na formação dos cinemas nacionais depois que os países conquistaram suas independências simultaneamente em 1975. Em Moçambique, a presidente Samora Machel tinha muita consciência do poder da imagem em movimento e se comprometeu com o desenvolvimento do cinema em Moçambique através da criação do Instituto Nacional de Cinema e do convite que fez a Jean-Luc Godard, Jean Rouch e Ruy Guerra à Moçambique para que ajudassem a desenvolver uma indústria nacional. As esperanças de prosperar nos cinemas nacionais com princípios socialistas foram frustradas pelas guerras civis que eclodiram em Angola e Moçambique logo após a independência. As indústrias fílmicas nesses países atualmente crescem a passos lentos, e recentemente poucas cineastas mulheres surgiram, notavelmente Teresa Prata com “Terra Sonâmbula” (2007), sobre a jornada de um garoto em uma Moçambique destroçada pela guerra. Margarida Cardoso começou a dirigir filmes em 1995, em geral explorando temas relacionados a sua história pessoal e social, como a história colonial de Portugal em Moçambique, e a luta anticolonial. “A Costa dos Murmúrios” (2004) em particular aborda a experiência branca europeia em um país africano indefinido nos anos de 1960, diante de um pano de fundo de guerra civil e conflitos. Pocas Pascoal foi a primeira operadora de câmera de Angola, e dirigiu seu primeiro longa em 2012, “Alda e Maria”, sobre duas irmãs que escapam da guerra civil angolana fugindo para Lisboa nos anos de 1980. É significativo que essas diretoras dos países de língua oficial portuguesa contaram histórias do período colonial e pós-colonial e as circunstâncias dos seus países, escolhas temáticas que se aproximam dos princípios do Terceiro Cinema e são uma continuação do trabalho de Sarah Maldoror.

A carreira de Sarah Maldoror como cineasta ilustra o impacto do Terceiro Cinema no cinema revolucionário das mulheres. Ela foi assistente de direção no filme “A Batalha da Argélia” e logo depois realizou um potente documentário político examinando as técnicas de tortura usadas pelos franceses na guerra argelina, “Monangambé” (1968). Seu primeiro longa, “Sambizanga” (1972) ainda hoje é um grande exemplo de uma das mais antigas expressões feministas da ideologia do Terceiro Cinema. Nascida na França e de descendência guadalupense, é considerada uma cineasta africana pioneira por conta do seu longo e profundo envolvimento com o cinema no continente. Ela foi cofundadora do grupo de teatro Compagnie d’Art Dramatique des Griots em Paris em 1956, que treinou e apoiou atores negros. Ela deixou a companhia no início dos anos 1960 para estudar cinema na CGIK em Moscou com uma bolsa de estudos (Bassori, 2016). Maldoror tinha uma afinidade particular com Angola, já que era casada com o líder do movimento de libertação, poeta e filósofo Mário Pinto de Andrade. Com seu interesse na emancipação de artistas negros, assim como seu ativismo nas lutas por libertação, todos os seus filmes abordaram a libertação dos países africanos. Maldoror dá atenção com detalhes às experiências das mulheres nas lutas de libertação.

“Sambizanga” alcançou merecidamente o status de cult como um dos primeiros longas dirigidos por uma mulher negra na África, mas também por conta da única cópia sobrevivente do filme, em 16mm com legendas em inglês, preservada na New York Public Gallery. O filme é baseado em um romance do autor angolano José Luandino Vieira e foi filmado no Congo-Brazzaville. Maldoror usou técnicas de filmagem de guerrilha com a intenção de mobilizar os espectadores, especialmente os ocidentais que desconheciam a brutalidade do regime colonial português. O filme foi banido em Portugal e consequentemente também na sua “província” de Angola. Ganhou importantes prêmios em Berlim e Cartago, mas só foi exibido em Angola depois da independência.

Sambizanga é o nome do bairro de trabalhadores em Luanda onde existia uma prisão portuguesa onde os militantes angolanos eram levados para serem torturados e mortos. O filme começa com a prisão do revolucionário Domingos Xavier pelos oficiais portugueses. Xavier é levado para a prisão Sambizanga onde é ameaçado de ser torturado até morrer por não entregar os nomes dos seus companheiros. O resto da narrativa foca na esposa de Xavier, Maria, que vai de prisão em prisão até descobrir o que aconteceu com o seu marido, experimentando uma dor emocional e física excruciante durante a jornada, enquanto persiste em sua luta e mostra imensa perseverança. Sua experiência de solidariedade entre mulheres é fortalecedora tanto para ela como para aquelas ao seu redor. Ao enfatizar a presença central de mulheres na historiografia, Maldoror disse que “as mulheres africanas devem estar em todos os lugares. Elas devem estar nas imagens, atrás das câmeras, na ilha de edição e envolvidas em cada estágio do fazer fílmico. Elas devem ser aquelas que falam dos seus problemas” (Sezirahiga 1995). Ela, portanto, combina o seu ativismo atrás das câmeras com a sua luta por ter mulheres nas telas dos cinemas africanos.

 

Tradução para o português: Ana Camila Esteves

* A tradução foi autorizada pela autora Lizelle Bisschoff.

O livro pode ser adquirido na loja Amazon, e sua língua original é o inglês.

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